Política

Saúde vira o tema mais citado por candidatos ao governo

Os planos de governo dos candidatos ao Palácio Iguaçu, protocolados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citam a palavra Saúde, juntos, 244 vezes. Em seguida vem Educação, com 160, e Segurança, com 137 citações. Com menos citações estão Emprego, com 58 vezes, e, por último, corrupção, com 26 citações apenas. O levantamento foi feito pelo grupo de pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (CPOP) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que também mediu o número de ideias dos candidatos, o tamanho físico e formato dos planos de governo. O grupo, fundado no em 2000, iniciou com a contagem uma série de publicações com as análises dos conteúdos dos planos de governo no Estado.

A legislação eleitoral obriga que os candidatos a cargos majoritários registrem, na Justiça Eleitoral, o plano de governo que pretendem implementar caso sejam eleitos. Isso fornece ao eleitor informações que podem ser usadas para a tomada de decisão de voto e, após a eleição, permite algum controle e fiscalização desses governantes.
A equipe CPOP analisou os conteúdos das propostas de nove dos dez candidatos ao governo do Paraná, registradas em 20 de agosto de 2018. Apenas o PRTB ainda não havia registrado seu plano de governo até a data da coleta de dados.
A série de análises foi aberta com os tamanhos, em geral, dos planos registrados, da atenção dada a algumas áreas de políticas públicas a partir do número de citações de determinadas palavras, e da participação relativa de cada termo de política pública nos planos de governo.

“Existe muita diferença de formatação entre os planos de governo. Alguns contam com artes, desenhos, utilização de espaços com imagens e fotos, gerando um número maior de páginas, enquanto outros usam apenas textos corridos. Portanto, o número de páginas não é a melhor forma para avaliar a profundidade geral de um plano de governo”, afirma Emerson Cervi, coordenador do grupo.

Na análise de conteúdo, uma medida mais adequada do “tamanho de texto” é o número de “formas”. As formas são conjuntos de palavras que representam uma mesma ideia. “Por exemplo, o número de formas desconsidera a diferença entre palavras no singular e plural: mês e meses são uma única forma. Além disso, formas associadas, que surgem da mesma raiz, são desconsideradas. Planejar, planejando e planejamento são três palavras que representam a mesma ideia e, portanto, são uma só forma. Então, a diferença entre o número de formas por plano de governo evita distorções entre o total de texto e total de palavras”, explica.

Ratinho Jr tem maior plano e usa quase 3 mil palavras

O plano de governo do PSD, de Ratinho Junior, maior em número de formas, não apresenta frequência relativa alta para os cinco temas selecionados: Corrupção, Educação, Emprego, Saúde e Segurança. “É um plano que trata mais de questões administrativas e fiscais, como será apresentado nas próximas semanas”, adianta Cervi.
De acordo com o CPOP, os candidatos são divididos em três grupos. Entre duas e três mil formas (palavras que representam ideias) estão o plano de governo do PSD, de Ratinho Jr; PT, de Dr. Rosinha; e MDB, de João Arruda. Depois, encontram-se REDE, de Jorge Bernardi, PSOL, de Professor Piva, e PP, de Cida Borghetti, acima de mil e abaixo de duas mil formas. No terceiro grupo, com menos de mil formas, estão os demais candidatos.

Arruda é o que mais se refere a ‘corrupção’, tema pouco falado

Entre os termos que representam assuntos presentes no debate público, ‘Corrupção’ foi o menos citado. “Corrupção é o termo que menos aparece nos planos de governo, ainda que tenha uma presença constante na cobertura jornalística feita sobre política atualmente no Brasil”, diz o grupo. Depois do MDB, os planos de governo do PSL, de Ogier Buchi, e depois do PSTU, do Professor Ivan Bernardo, são os que mais focam no tema. Nos demais partidos, a frequência relativa fica abaixo de 2% do total.
“Chama atenção o fato de que os planos de governo dedicarem pouca atenção para o tema da Corrupção, embora esse assunto seja uma constante nos discursos dos concorrentes ao governo do Paraná”, afirma Cervi.

Segurança vira  lugar-comum  entre os candidatos

De acordo com a análise, o termo “Segurança” apresenta uma presença relativa mais homogênea entre seis dos nove planos de governo. Apenas nos casos do PSOL, de Professor Piva, e PSTU ele fica igual a ou abaixo de 2%. No PCO, de Priscila Ebara, praticamente não é citado. O termo “Educação” aparece acima de 6% da frequência relativa no PT, de Doutor Rosinha, REDE, de Jorge Bernardi, e MDB. Depois, seguem os partidos PSD, de Ratinho Jr, PP e PSOL. Em seguida, há PSTU e PCO. O PSL é o partido que menos cita “Educação” em seu plano de governo. O termo “saúde” tem presença relativa maior no programa do PSOL, com mais de 17% do total. Em um segundo grupo, acima de 5%, ficam os programas do PSD, PT e PSL. Abaixo de 5% encontram-se todos os demais partidos.

Fonte: Bem Paraná – 27/08/2018

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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