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Processo de avaliação de segurança e eficácia da Coronavac contou com voluntários da Saúde de Araucária

Há um criterioso processo para que uma vacina seja autorizada para uma campanha de vacinação. Entre as etapas está o teste em milhares de voluntários para avaliar a eficácia e segurança da vacina.  E a participação desses voluntários tem garantido, ao longo de anos, diversas vacinas que os brasileiros já conhecem bem. No caso da Coronavac, 1ª vacina contra a Covid-19 a chegar para a vacinação em Araucária, o processo contou com a participação de, pelo menos, três profissionais que trabalham na Saúde do município. Em comum entre eles: o trabalho no Centro Especial de Combate ao Coronavírus de Araucária (CECC), o comprometimento individual e a confiança na ciência para salvar vidas.

A fisioterapeuta Juliana Maria Karas, moradora em Araucária, trabalha no CECC e também em uma UTI Covid em Curitiba desde o início da pandemia. Ela explicou que a desejo de ser voluntária veio após uma conversa com um médico amigo que conheceu no CECC. “Eu estou na linha de frente desde o início da pandemia, sem vacina e trabalhando duro todas as noites e dias em salvar vidas”, comentou. Juliana não sabia até então, mas, em julho de 2020, fez parte do grupo de teste que recebeu um placebo (preparação sem efeito). Somente com a revelação sobre o grupo a qual fez parte no teste, em 21 de janeiro de 2021, é que ela recebeu a vacina Coronavac/Butantan. “Se ela é 100%, 90%, 80% ou 30% eficaz, não importa. O importante é que a vacina vem para reduzir as mortes em massa pelos doentes que contraem a doença. Viva o SUS, viva a Saúde! Estou muito feliz, uma emoção que não consigo descrever. Mas digo: acredite em Deus, tenha fé e esperança que dias melhores estão chegando”, declarou.

Outra profissional de saúde que trabalha no CECC e que fez parte do grupo que recebeu placebo foi Sirlei Pereira da Silva, enfermeira, mas concursada como auxiliar de enfermagem. Ela conta que soube do estudo e buscou informações para se inscrever como voluntária. Segundo ela, a sua participação resultou em uma “sensação de contribuição com a ciência”. “Recebi placebo e não fiquei surpresa, já que o placebo fazia parte do estudo. Os estudos apontam uma margem de segurança [da vacina] acima do esperado. Gratidão pela ciência. Esperança pela cura/vida”, afirmou. Como foi voluntária no estudo, ela também já recebeu a vacina da Coronavac logo após saber que era do grupo de placebo. 

PROTEÇÃO CONTRA COMPLICAÇÕES – O fisioterapeuta Júlio Celestino Pedron Romani descobriu esses dias que teve a sorte de cair no grupo que foi vacinado pela Coronavac, já em 18 de agosto de 2020. Ele conta que soube que precisavam de voluntários para o estudo pela imprensa e colegas de trabalho. “Fiquei ‘antenado’. Achei que seria uma forma interessante de contribuição”, avaliou. Júlio destacou que foi voluntário em algumas análises na área de fisioterapia, mas num estudo dessa magnitude foi a 1ª vez. “Eu tinha, teoricamente, 50% de chance de receber a vacina, mas é um estudo cego, então você não sabe [o que recebeu]. Procurei não mudar nada do cuidado que eu tinha anteriormente [sobre medidas de prevenção à Covid-19]”.

A sua história ganhou novo capítulo em novembro de 2020, quando Júlio recebeu o diagnóstico positivo para Covid-19 e teve sintomas de “moderado para leve”, como definiu. Em consulta de retorno sobre o estudo, chegou a relatar à médica que provavelmente teria recebido placebo, já que teve a infecção. Ao avaliar os detalhes do seu quadro de saúde, a médica cogitou que ele pudesse ter recebido a vacina e que, na verdade, ela o protegeu da forma mais grave da doença. “Nesse momento, eu derramei lágrimas junto à médica. Porque eu percebi que eu teria sofrido muito se eu não tivesse recebido a vacina. Provavelmente eu teria uma forma grave, teria sido um curso bem diferente e talvez não estaria aqui para contar a história”, revelou.

O relato do fisioterapeuta permite reforçar uma explicação necessária: a vacina não necessariamente evita a doença em todas as pessoas; mas a vacina evita a complicação que pode resultar internamento e morte. Neste caso, é uma situação semelhante ao que já ocorria, por exemplo, com a vacina contra a gripe, que também tem como foco impedir situações de agravamento. “Certamente, muitas vidas serão poupadas com essa vacina”, comemora o fisioterapeuta. 

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TIRA-DÚVIDAS SOBRE A VACINA
A seguir, alguns esclarecimentos da Secretaria de Estado da Saúde (SESA-PR) sobre vacinação:

A vacina é gratuita?
Sim, ela é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atendendo a ordem dos grupos prioritários. Por isso é importante ficar atento e não cair em golpes, pois não houve liberação de venda no Brasil.

Quem será vacinado primeiro?
Como ainda não há doses suficientes para atender toda a população que será imunizada, a vacinação será feita de forma gradual. O Plano Estadual de Vacinação definiu alguns critérios para os grupos prioritários, que incluem os riscos de exposição à doença, de desenvolver formas graves, de transmissibilidade e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Neste primeiro momento, estão sendo vacinados os trabalhadores de saúde, os idosos com 60 anos ou mais que vivem em asilos, casas de repouso e afins e seus funcionários.

Qual é o calendário para vacinar toda a população do Paraná?
Não há como a Secretaria de Estado da Saúde instituir um calendário, porque a aquisição e o envio das doses de vacinas são de responsabilidade do Ministério da Saúde. Porém, é importante ressaltar que, por enquanto, nem todo mundo será imunizado. Além da disponibilidade dos imunizantes, os testes feitos até agora não incluíram alguns grupos, como gestantes e menores de 18 anos, e por isso, precauções ou contraindicações serão adotadas temporariamente, até que maiores evidências sejam divulgadas. Além disso, certas condições também impedem a vacinação de algumas pessoas. Como já é recomendado para outras vacinas, quem tiver com febre moderada ou grave não deve ser imunizado, pois os sintomas podem ser confundidos com possíveis efeitos colaterais. Pacientes imunossuprimidos (aqueles que têm redução do seu sistema imunológico) também não podem ser vacinados.

Sou idoso, quando vou tomar a vacina?
Os idosos foram incluídos entre os grupos prioritários para receberem a vacina, com uma divisão por faixa etária. Passando esta primeira etapa, o próximo grupo que está na fila são as pessoas de 80 anos ou mais, seguidas pela faixa dos 75 aos 79 anos; de 70 a 74 anos; de 65 a 69 anos; de 60 a 64 anos. O cronograma ainda não foi definido, mas a Secretaria de Estado da Saúde irá divulgá-las assim que o Ministério da Saúde disponibilizar novas doses.

Quem já teve Covid-19 pode se vacinar?
Pode. Não há evidências, até o momento, de qualquer risco com a vacinação de indivíduos com histórico anterior de infecção ou com anticorpo detectável para SARS-COV-2. Além disso, como há casos de reinfecção e mesmo novas variantes do vírus circulando, ainda não existem evidências de que quem pegou a doença já esteja automaticamente imunizado.

Por que mesmo após tomar a vacina ainda preciso usar máscara?
Mesmo com o início da imunização, ainda não é hora de relaxar com as medidas de prevenção. Usar máscara, lavar as mãos e manter o distanciamento social são medidas eficientes e necessárias para evitar a disseminação do vírus. Além disso, ainda faltam muitos meses para que todos sejam vacinados contra a Covid-19, e mesmo quem já recebeu o imunizante ainda pode continuar sendo um agente de transmissão da doença.

Quanto tempo após a vacinação estarei imunizado?
Nos estudos realizados foi observado que após 14 dias da aplicação da segunda dose da vacina há soro conversão para imunidade. Porém, há a necessidade de conclusão de estudos técnicos sobre o tempo de imunidade por parte do Ministério da Saúde.

SCMS Araucária

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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