Araucária

Petrobras investiga desvio em refinaria em Araucária

20150427074047715469eQuase quatro anos depois de afirmar que não havia superfaturamento, sobrepreço ou qualquer outra irregularidade nas obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), a Petrobras decidiu abrir processo de apuração interna para verificar prejuízos na unidade em Araucária (PR), Região Metropolitana de Curitiba. A apuração foi pedida pela Polícia Federal em inquérito de 2011, anterior à Operação Lava-Jato, mas que foi anexado à investigação por causa das relações com as mesmas empreiteiras envolvidas no caso. O Tribunal de Contas da União identificou R$ 1,4 bilhão de superfaturamento em obras de modernização tocadas por empreiteiras sob suspeita — valor confirmado pela Polícia Federal.O juiz Sérgio Moro intimou a Petrobras, no fim de fevereiro, a dizer se tinha a auditoria sobre os desvios na Repar. A apuração interna deveria ter sido encaminhada em março à 13ª Vara Federal, mas a estatal estendeu o prazo. Delatores da Lava-Jato indicaram pagamentos de propina para obter negócios na Repar.

As obras de modernização da refinaria reuniram cinco consórcios e contratos de R$ 7,5 bilhões. Segundo o delator da Lava-Jato Augusto Mendonça, executivo da Setal, o pool Interpar, formado por Setal, Mendes Júnior e MPE Montagens, só ganhou a licitação com o apoio do cartel de empresas que loteava obras na petroleira. O gestor disse ao delegado Felipe Hayashi, em 29 de outubro de 2014, que negociou “comissões” para os então diretores da Petrobras Renato Duque (Engenharia) e Paulo Roberto Costa (Abastecimento). Para o primeiro, foram R$ 20 milhões em depósitos no exterior feitos pelo operador Júlio Camargo. O segundo ficou com o mesmo valor, após “duras negociações” com o ex-líder do PP na Câmara José Janene (PR).

Integrante de um dos consórcios responsáveis pela Repar, a MPE Montagens fechou contrato de R$ 1 milhão com empresa controlada pelo doleiro Alberto Youssef, operador do PP. Assim como no caso da Setal, outros exemplos ligam o sobrepreço apontado pelo TCU a confissões de delatores e transferências de dinheiro de empreiteiras para firmas usadas para lavar dinheiro.

O juiz responsável pela Lava-Jato, Sérgio Moro, destaca que o inquérito sobre a obra avalia superfaturamento tocado por empreiteiras “como a Odebrecht, a OAS, a UTC e a Mendes Júnior.” As duas primeiras empresas negaram irregularidades. UTC e Mendes Júnior silenciaram sobre o caso. Delegados e procuradores aguardam o resultado da apuração interna da Petrobras para subsidiar as investigações. A expectativa é de que o resultado aponte o mesmo detalhamento dos desvios revelados pela auditoria feita no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

MODERNIZAÇÃO Para os auditores do TCU, o sobrepreço foi de R$ 223 milhões na modernização de unidades de coque e gasolina, feita pelo Consórcio Conpar (Odebrecht, OAS e UTC). As obras foram concluídas em 2014. Segundo documentos apreendidos pela PF na Lava-Jato, a OAS repassou R$ 617 mil para a MO Consultoria, empresa controlada por Youssef — a construtora nega as alegações. “A OAS exerce suas atividades com integridade, pautada pela conduta ética e pelo respeito à legislação em vigor”, afirma a empresa.

No caso da unidade de coque, a Camargo Côrrea, integrante do consórcio responsável pela modernização, subcontratou a fornecedora de tubos Sanko Sider. A empresa fez repasses de R$ 3,2 milhões para Youssef, segundo a PF. A Sanko alega não ser fornecedora direta da Petrobras. O TCU ainda identificou sobrepreço de R$ 70 milhões em áreas de tratamento de água, executadas pela VWSB-Enfil, não localizada pela reportagem.

Propina negada
Citados nas delações premiadas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef como beneficiários do esquema de corrupção na estatal, o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo e a senadora Gleisi Hoffmann negaram que tenha havido irregularidades na arrecadação de campanha de Gleisi ao Senado, em 2010. Em depoimentos feitos em 2 e 14 deste mês à Polícia Federal, Bernardo e Gleisi disseram que não foi solicitado ao empresário Ernesto Kugler, amigo do casal, que intermediasse o repasse de dinheiro para financiar a campanha de Gleisi. Em delação, o doleiro Alberto Youssef disse ter repassado recursos de propina em contratos da Petrobras a Paulo Bernardo, por intermédio de Kugler. No depoimento, Paulo Bernardo declarou que, quando ocupava o cargo de secretário da Fazenda no Mato Grosso do Sul, em 1990, conheceu Paulo Roberto Costa, pivô das delações da Lava-Jato.

 

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Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Jornalista (MTB 0009108-PR), Repórter Cinematográfico e Fotógrafico licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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