Paraná

Paraná é apontando como “epicentro” das ocupações do país com 851 escolas invadidas

O Paraná, espécie de “epicentro” das ocupações de escolas no País, tinha, até a noite desta terça-feira, 25, 851 colégios e 11 universidades invadidos, de acordo com o Movimento Ocupa Paraná.

No Brasil, pelo menos 1.108 instituições de ensino estão ocupadas pelos estudantes, em 19 Estados e no Distrito Federal, de acordo com levantamento da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Além de 1.022 escolas e institutos federais, há 82 universidades ocupadas e quatro Núcleos Regionais de Educação.

Os estudantes protestam contra a Medida Provisória 746, que estabelece mudanças no ensino médio, e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, do governo federal, que limita por 20 anos os gastos públicos – incluindo a área de Educação.

Além das 851 escolas ocupadas no Paraná, ainda há pelo menos 66 instituições ocupadas em Minas, 13 no Rio Grande do Sul e 10 no Rio Grande do Norte, assim como em Goiás. No Distrito Federal são oito as instituições invadidas e no Rio, são sete os casos. São Paulo vem logo em seguida, com cinco escolas.

Na segunda-feira, o prédio da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) também foi ocupado, por cerca de 200 alunos contrários à PEC 241 e à reforma do ensino médio. O Estado divulgou números diferentes: 792 escolas teriam sido invadidas e 39, já desocupadas.

O número de colégios desocupados inclui a escola Santa Felicidade, onde o estudante Lucas Eduardo Araújo Mota, de 16 anos, foi morto por um colega, após supostamente consumirem drogas, na segunda-feira. A Procuradoria-Geral de Justiça do Paraná designou dois promotores para acompanhar o caso.

No começo da tarde desta terça-feira, a diretoria da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) fez um pronunciamento em que condenou o uso do homicídio para criminalizar o movimento. “Infelizmente, episódios como esses acontecem no Paraná, onde o poder público não consegue promover políticas públicas para os jovens”, disse o vice-presidente da entidade, Marcelo Miranda.

Ele ainda criticou a radicalização de movimentos contrários às ocupações. “Repudiamos as organizações que usam isso (assassinato do jovem) para criminalizar as ocupações no Paraná, a origem do crime não está relacionada às ocupações”, disse. Estudantes farão assembleias nesta quarta-feira, 26 para definir o futuro do movimento. “O governo deve aguardar os resultados da assembleia e esperamos que acate as pautas a serem levantadas para podermos dar fim a esse impasse.”

Urgente

A proposta de mudanças no ensino médio foi qualificada pelo ministério como “urgente”. “As propostas da MP são fruto de um amplo debate acumulado no País nas últimas décadas. Entre as principais mudanças está a possibilidade de o aluno escolher a área em que vai querer atuar profissionalmente, como acontece nos principais países do mundo. As medidas estão sendo preparadas com base em avaliações técnicas rigorosas e alinhadas com aquilo que defendem os maiores especialistas em Educação do País”, informou o MEC em seu comunicado.

Para a presidente da Ubes, Camila Lanes, o crescente número das ações nas escolas é resultado de um movimento espontâneo dos estudantes. “Os alunos decidem em assembleia por ocupar ou não ocupar as escolas. Nas instituições ocupadas, diariamente os estudantes elegem suas comissões e decidem se a ocupação continuará”, disse Camila, que está no Paraná, onde há a maior concentração de unidades ocupadas.

Segundo ela, o engajamento no movimento contra as medidas do governo não se limita às ocupações. “Muitas das escolas que optaram por não fazer ocupações estão realizando debates e realizando assembleias”, afirmou. Ela atribui a concentração dos registros no Paraná a uma demanda reprimida por melhoras no ensino público do Estado. “Já havia várias escolas se mobilizando para fazer atos nas ruas. Mas em manifestações anteriores o governo do Paraná optou pela truculência policial. Quando o governo colocou a MP na mesa, eles decidiram pelas ocupações”, disse.

 

BandaB

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Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Jornalista (MTB 0009108-PR), Repórter Cinematográfico e Fotógrafico licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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