Educação

“O retorno pode ser precoce se fora da escola os pais não tomaram os cuidados necessários“, afirma infectologista

Após quase um ano de aulas remotas e de isolamento, o tão esperado retorno às aulas presenciais na rede pública está se aproximando no Paraná.

As aulas particulares voltaram no início de fevereiro e estão seguindo rígidos protocolos de segurança sanitária para evitar o contágio da Covid-19. No entanto, dúvidas sobre a segurança da volta às atividades no ensino público ainda permeiam a cabeça de muitos pais.

No Paraná, o ensino presencial está marcado para retornar no dia 1º de março. O governo foi obrigado a adiar a volta às aulas – antes previstas para começar em 18 de fevereiro – já que municípios do estado apresentaram problemas com o transporte escolar. Segundo o médico, o Brasil é o país no mundo que mais deixou as crianças afastadas da escola e isso gerou consequências nefastas para a saúde mental dos pequenos.

Em live feita no Instagram da Banda B nesta quarta-feira (10),  médico infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, Dr. Victor Horácio, para o retorno às aulas ser bem sucedido é fundamental que as famílias mantenham os cuidados para prevenir a Covid-19. “O retorno pode ser precoce “se do portão da escola para fora os pais não tomarem os cuidados necessários”, afirmou o médico.

Segundo o especialista, é importante que os pais continuem usando o álcool gel, façam as trocas de máscaras quando necessário e mantenham o isolamento social. Victor destaca que as pesquisas mostram que o Coronavírus é transmitido com mais frequência dentro de casa. O médico aponta que quando uma pessoa está em casa, a tendência é que haja um relaxamento das regras para evitar contágio da Covid-19.

Com isso, isolar as crianças de pessoas do grupo de risco pode ser uma alternativa.“Se você não tomar cuidado ambiente domiciliar pode se tornar um ambiente de alta transmissibilidade do Sars-CoV-2 (Coronavírus)”, diz o médico.

Saúde mental das crianças

De acordo com Dr Victor Horácio, o Brasil é o país no mundo que mais deixou as crianças afastadas da escola e isso gerou consequências nefastas para a saúde mental dos pequenos. Entre elas estão o aumento da insônia, ansiedade, gravidez na adolescência e até maus tratos contra crianças. Para o médico, o afastamento das crianças da escola resultou em mais malefícios do que benefícios para os pequenos.

O especialista citou estudos que comprovam que as crianças transmitem menos o coronavírus. “Elas são 1% da taxa de mortalidade no mundo e 3% das internações por Coronavírus. Estatisticamente ela pega menos a doença e transmite menos entre elas. Baseado nisso, a gente vem reforçar a importância do retorno as atividades escolares”, destacou o médico.

No entanto, o especialista ressalta que o retorno às aulas não pode ser feito sem nenhum tipo de critério. As escolas estão tendo tempo para se preparar e adaptar a sala de aula. Com o ensino híbrido, menos alunos estarão em cada sala. Victor aponta que protocolos como o uso álcool gel, máscaras e constante higienização são essenciais e precisam ser seguidos.

Uso de máscaras

Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) já ter mencionado de crianças de até 5 anos não precisam usar máscaras na volta às aulas, o Dr. Victor Horácio recomenda que o protocolo da Sociedade Brasileira de Pediatria seja seguido no retorno.

Com isso, crianças de até 2 anos não devem usar máscaras, dos 2 aos 5 anos o uso deve ser feito com supervisão e acima dos 5 anos todas as crianças precisam usar máscaras. De acordo com o médico, as máscaras são uma barreira de proteção e seu uso precisa ser incentivado.

Victor afirma que os pais não devem fazer uma distinção sobre qual máscara usar, segundo ele, a melhor é a que tiver de fácil e possa ser usada. As trocas devem acontecer nos momentos de alimentação e quando as máscaras estiverem úmidas ou sujas. “O ideal é a cada 2,3 horas fazer a troca dessa máscara“, diz o médico.

Protocolos em sala de aula

O médico garante que os pais podem ficar seguros com o retorno às aulas desde que as escolas estejam seguindo os protocolos de segurança. Professores e funcionários devem estar usando máscaras, face shields, avental, álcool gel, aferição de temperatura e número reduzido de crianças em sala

Esse número menor de crianças na escola depende da proporção do distanciamento social que pode ser proporcionado em sala de aula. Segundo Victor, o número de crianças vai variar com o tamanho e capacidade da escola.

De acordo com o especialista, os materiais escolares usados no dia a dia podem ficar no ambiente escolar. Além disso, é importante higienizar constantemente as mochilas das crianças. Os pequenos também não podem compartilhar objetos entre elas.

Segurança dos professores

Em relação a segurança dos professores, o médico destaca que os professores devem tomar todos os cuidados na prevenção do contágio da Covid-19. A vacinação dos profissionais de educação está prevista apenas para a Fase 4 do Plano de Imunização do Governo do Paraná. Ainda não há data para que isso aconteça.

O médico considera que a escola pode ser um ambiente seguro para o trabalho de professores desde que eles sigam os protocolos do Governo do Estado e da Sociedade Brasileira de Pediatra. Levando em consideração que crianças transmitem menos a Covid-19, Victor destaca que é possível fazer uma volta segura.

“É possível fazer um retorno seguro se as escolas estiverem seguindo protocolos e os pais fazendo a tarefa de casa também“, diz o médico.

Por Banda B parceira do Araucária no Ar

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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