Paraná

Nota fiscal aumenta suspeita de caixa 2 na campanha de reeleição de Beto Richa

Beto Richa22Daniel CastellanoUma nota fiscal entregue pelo auditor da Receita Estadual Luiz Antônio de Souza ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aumenta a suspeita de que a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB), no ano passado, teve caixa 2. A nota, a qual a reportagem teve acesso, mostram que o auditor, investigado pelo esquema de corrupção na Receita, pagou R$ 5,7 mil do próprio bolso pela madeira compensada usada para instalar divisórias no comitê de campanha de Richa que ficava perto do Terminal Urbano, na região central da Londrina. O pagamento, que em tese deveria ter sido lançado como doação eleitoral, não consta da prestação de contas da campanha de Richa.

nvestigado pelo Gaeco na Operação Publicano, o auditor Luiz Antônio de Souza firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP) para contar o que sabe e ter redução de sua pena.Ele já disse que o esquema de corrupção na Receita de Londrina teria arrecadado R$ 2 milhões que foram destinados à campanha de Richa.

Despesa maior

Com relação às divisórias do comitê em Londrina, o advogado de Souza, Eduardo Duarte Ferreira, relatou, com base no depoimento do cliente, que o custo foi de R$ 15 mil a R$ 25 mil e que o material foi comprado em mais de uma loja. Isso significa que poderia haver outras notas da aquisição do material.

A reportagem teve acesso a uma nota fiscal, de R$ 5.785, da empresa Gmad Complond Suplementos para Móveis, de 29 de julho do ano passado – período em que a campanha já estava liberada pela Justiça Eleitoral. A nota está em nome de Souza e o local de entrega do compensado usado nas divisórias coincide com o endereço em que funcionou o comitê de Richa. “Ele [Souza] explicou que foi procurado no curso da campanha eleitoral. O imóvel é muito grande e precisava ser dividido”, disse o advogado do auditor.

O advogado da Gmad, Vinícius Borba, confirmou a autenticidade do documento.

Numa busca feita na prestação de contas da reeleição de Richa, a reportagem constatou que não há doação oficial de Souza à campanha de reeleição do governador. A Gmad também não aparece como doadora ou fornecedora da campanha.

Outro lado

Em nota, o PSDB do Paraná afirmou que “não reconhece a veracidade da despesa alegada” pelo auditor. “A coordenação da campanha eleitoral do PSDB não encomendou o referido material, não autorizou e nem recebeu qualquer nota fiscal referente ao alegado serviço. Todos os serviços contratados em 2014 pela coligação Todos Pelo Paraná e suas correspondentes notas fiscais foram apresentados no relatório de prestação de contas aprovado pela Justiça Eleitoral”, diz o texto do PSDB.

A reportagem não localizou Vítor Hugo Dantas, que foi um dos coordenadores da campanha de Richa em Londrina. Hoje ele é responsável pelaRegião Metropolitana de Londrina (Comel). Na sede da Comel, funcionários informaram que ele estaria em uma reunião em Porecatu. A reportagem também ligou três vezes para o celular de Dantas, mas não conseguiu falar com ele.

Auditores tinham ‘sala da propina’ em prédio comercial, diz delator

Segundo informações prestadas pelo delator Luiz Antônio de Souza no acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MP), os auditores fiscais acusados de envolvimento no esquema de corrupção teriam uma “sala da propina” em um prédio comercial na Rua Alagoas, no centro de Londrina. Lá, realizariam reuniões e guardariam dinheiro recebido do esquema de corrupção na Receita.

Ele acrescentou que, embora a “sala da propina” esteja registrada em seu nome, pertenceria a outro auditor fiscal, Milton Digiacomo, que no ano passado disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná pelo PSB, partido que fazia parte da coligação que apoiou a reeleição de Beto Richa (PSDB).

A reportagem procurou Digiacomo nesta segunda-feira (18) à tarde. Mas, segundo funcionários da delegacia da Receita Estadual de Londrina, ele não havia aparecido. (FS)

Gazeta do Povo

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Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Jornalista (MTB 0009108-PR), Repórter Cinematográfico e Fotógrafico licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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