Paraná

Muro de escola cai e centenas de alunos têm aulas suspensas: “Tragédia anunciada”

Pais e estudantes do Colégio Estadual Tiradentes, no bairro Borda do Campo, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, estão revoltados com a situação da instituição de ensino. Mesmo com todos os alertas feitos, os administradores não impediram a queda de um muro nesta quarta-feira (19). Com isso, alunos estão tendo aulas no sistema de rodízio e a escola aberta e exposta.

O colégio, então municipal, foi fundado em 1971, com a ajuda de monges beneditinos, que inicialmente foram os mestres da escola. Para melhor gerir os recursos que a comunidade empregava, foi criada a Fundação Itaqui, que em 1999 alugou o terreno à Fundepar, ligada ao Governo do Paraná, para a criação de uma escola estadual.

Segundo a diretora da escola, Regina Lucia Rocha, como parte da escola é alugada, o governo não pode investir em um espaço particular, o que está causando o problema. “A quadra é descoberta e com o cimento ruim, o que atrapalha demais os alunos. As salas estão mal conservadas e só conseguimos reformar com a ajuda da comunidade. Nós não conseguimos fazer nada, por essa questão do espaço ser alugado e a fundação não fazer a reforma”, afirmou a diretora à Banda B.

Ainda de acordo com Regina Lucia, com a queda do muro as aulas estão em forma de rodízio. “O pátio está exposto e vamos ter que fazer um rodízio de aula entre as turmas. Aqui são 1,4 mil alunos, em três turnos. Muitos já estão sendo prejudicados”, descreveu.

Pais na bronca

Pai de um aluno na escola, Antônio Marcos disse que é preciso que esse imbróglio entre as partes responsáveis termine o quanto antes. “Eles deveriam se organizar, sentar, conversar e fazer a reforma. A escola agora está totalmente desguarnecida. Esse povo só vem aqui em época de eleição, fazem promessas e nada se resolve”, disse.

Estela Venâncio, mãe de outro estudante, falou que uma tragédia poderia ter acontecido. “Graças a Deus não pegou nenhuma criança, mas o estrago poderia ser ainda maior. É um grande problema , que ninguém consegue resolver. Promessas e mais nada. Até quando?”, questionou.

Fundação Itaqui

Sobre o imbróglio, a Banda B conversou com Maria Tereza Madder, que faz parte do conselho curador da fundação. Segundo ela, o Estado do Paraná é quem precisa ajudar na reforma. “Nós ganhamos o dinheiro do aluguel e ainda mantemos uma pré-escola. A manutenção do prédio não é nossa responsabilidade, porque o espaço foi alugado pelo Estado. A fundação não tem recursos para investir ali. Nós cuidamos de crianças de mães que trabalham fora e não temos como fazer isso. O Estado é rico e nós somos pobres”, afirmou.

Governo do Paraná

A Fundepar, ligada ao Governo do Paraná, enviou a seguinte nota:

O FUNDEPAR foi comunicado pela escola e enviou ontem (19/09) uma equipe técnica ao local que está elaborando um laudo que deverá estar concluído até manhã. Com base nesse laudo, o FUNDEPAR irá notificar o dono do imóvel, e se ficar comprovado que os danos foram causados pela obra feita pela Prefeitura de São José dos Pinhais, a mesma também será notificada para que proceda o conserto.

Paralelamente à notificação do proprietário e da Prefeitura o FUNDEPAR, juntamente com o NRE Área Sul e a direção da escola, está estudando as medidas necessárias para a proteção dos alunos durante a execução dos reparos.

Prefeitura de São José dos Pinhais

Citada, a Prefeitura de São José dos Pinhais informou em nota:

“Sobre a situação do muro do Colégio Estadual Tiradentes, que caiu na tarde desta quarta-feira (19) a Prefeitura de São José dos Pinhais informa que no ano de 2016 a Defesa Civil Municipal já havia comparecido naquele colégio acompanhado de um engenheiro civil, ocasião na qual foi emitido um parecer informando que o muro precisava passar por um manutenção o mais urgente possível pois com o tempo correria o risco de cair se não fossem realizadas as intervenções necessárias. Parecer que foi documentado e protocolado com a direção do Colégio e enviado ao Estado.

Sobre a informação passada pela Fundepar de que “próximo ao local a prefeitura de São José dos Pinhais realiza uma obra, a qual acabou movimentando e prejudicando a fundação do muro”, esta informação é improcedente, uma vez que não há obras vizinhas ao muro e tão pouco movimentação de terra nos arredores do colégio que pudessem comprometer aquela ou outras estruturas.”

Fonte: Banda B – 20/09/2018

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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