Polícia

Mãe de gêmeo preso fala de ameaças e nega que filho tenha agredido Daniel

A mãe do gêmeo Eduardo Purkote, 18 anos, sétimo envolvido preso pela morte de Daniel Freitas, 24 anos, nega que o filho tenha participado das agressões contra o jogador. Viviane Purkote desqualifica a versão de testemunhas que colocam o jovem na cena do crime e pede que a verdade apareça. “De testemunha, do dia para a noite, ele vira acusado por causa de um depoimento sem nenhum fundamento”, critica a mãe. Os depoimentos de testemunhas transformaram o jovem em suspeito. Ele estava na casa com o irmão, que não foi apontado como agressor, no momento da festa.

A entrevista da família Purkote aconteceu dentro da casa deles, em um condomínio de luxo, às margens da BR-376, em São José dos Pinhais, mesmo local onde a prisão do jovem aconteceu, na quinta-feira (15), feriado da Proclamação da República. “Desde o dia 27 minha vida virou um inferno porque teus filhos vão em uma festa de uma menina que mal tinham conhecido. Se eles cometeram um erro, foi terem ido para a casa daquela família e não terem vindo para casa, como eu tinha pedido. Não conhecíamos essa família e nunca tinha ouvido falar no nome deles. De repente, eles viram testemunhas desse circo de horrores”, falou.

A mãe dos gêmeos contou que os filhos foram apresentados à Allana por meio de um amigo em comum. “Eles fizeram 18 anos em agosto e o sonho deles era frequentar a Shed, então, eles foram. Conheceram o pai dela, ela, até vieram falando que o pai dessa menina estava no aniversário e a gente pensou que era uma família de bem. Agora, no fim do mês de outubro, eles falaram dela e pediram para ir à festa de 18 anos da Allan”, negando que os jovens se conheceram ainda na escola.

A mãe dos gêmeos é casada com Jairo Melo, ex vice-prefeito de São José dos Pinhais. Ele é padrasto dos gêmeos e convivem juntos desde os dois anos de idade dos irmãos. A família afirma que eles não estudaram na mesma escola que Allana, no ensino médio.

Casa dos Brittes

Depois de saírem da balada, mesmo contrária à participação dos filhos no after party, ela recebeu a localização da casa dos Brittes, por meio do aplicativo WhatsApp. “Nosso combinado é que eles fossem para a festa e de lá viessem para casa, mas esse foi o erro. Acabaram indo por influência dos amigos dizendo que o pai da aniversariante ia continuar a festa por lá. Mandei várias mensagens pedindo para que viessem e eles dizendo que iriam rapidamente, enfim, serão inclusive anexadas ao inquérito. Eles me mandaram a localização e eu soube que estavam no Guatupê”, contou.

Segundo a versão dos gêmeos dada à família, um deles (apontado apenas como testemunha) foi chamado por Edison para ver algo dentro do quarto. “Ele bateu no ombro do meu filho, o chamou para mostrar algo que tinha dentro do quarto, notou que a porta estava trancada, disse ‘que estranho’ e deu a volta para entrar pela janela. Nisso, meu filho contou que começou a ouvir a agressão. O Eduardo estava no fundo da festa, com o celular conectado na caixa de som,” descreveu. “Essa versão de porta arrombada é mentira, Eduardo estava bastante embriagado e não ia conseguir. Várias pessoas já estavam saindo do quarto quando ele se deu conta. Meu filho não teve contato nenhum com o celular de Daniel. Até porque na versão das testemunhas, Edison teria visto algo em um celular que seria do Daniel. Isso tudo é muito contraditório”, completou.

Depoimentos dos presos Juninho Riqueza, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e de uma testemunha colocam Eduardo Purkote como ativo na cena do crime. Segundo eles, o gêmeo foi visto agredindo Daniel.

Ainda segundo ela, o filho acusado de participar do crime não conhecia a cozinha da casa, nunca tinha ido até o local e tampouco saberia onde estava a faca, segundo depoimento de uma testemunha que disse ter visto um dos Purkote segurando a faca. “Eduardo tentou separar a briga e foi ameaçado por Edison, dizendo que quem tentasse impedir seria agredido, também. Ele está sendo acusado de arrombar a porta, de pegar o celular de Daniel, das agressões e ainda faca, algo que nos deixou estarrecidos. O próprio Edison disse que ele mesmo pegou a faca, várias pessoas viram e agora estão jogando a culpa no meu filho? Ele nem sabia onde era a cozinha, nem onde tinha faca”, defendeu Viviane.

Trauma

Segundo a mãe, os filhos chegaram em casa apenas no fim da tarde porque ainda trabalharam na empresa do avô. “Eles não me contaram nada, fui saber dias depois. Mas eu fiquei preocupada porque notei que eles estavam apreensivos, nervosos, cochichando o tempo todo. O Eduardo esqueceu o celular na casa deles, estava cuidando das músicas e foi o último a ver a confusão com o Daniel”, disse. “No domingo à noite, eles começaram a receber ligações da Allana e meu filho não atendia por medo. Aí a Allana mandou uma mensagem dizendo que era pra eles passarem o endereço da casa deles porque estavam vindo aqui. Ele disse que não estava em casa, mentiu com medo. Eles me disseram na segunda-feira de manhã que iriam ao shopping para pegar o celular do Eduardo. Achei normal pela distância das nossas casas, eles iam trabalhar à tarde e não vi problema algum”, contou.

Pelas imagens, os irmãos Purkote se encontraram com a família Brittes, na tarde de domingo (28), um dia após o crime. Viviane contou que os gêmeos decidiram contar aos pais depois que o caso ganhou repercussão na mídia. “Passaram dias nervosos, abalados, estranhos, estavam com medo. A gente ficou desesperado porque jamais imaginamos nossos filhos nessas cenas de crimes. Quando começou a aparecer na mídia, eles viram que não tinha jeito e me contaram. As versões dos dois são muito firmes e isso nos dá segurança”, disse.

Versões

A mãe disse que os filhos sempre estiveram disponíveis para depoimentos e não vê a prisão de Eduardo como fundamentada. “Acredito que eles queriam dividir essa culpa com alguém e dividir a culpa com alguém que não tivesse conhecimento, que de repente, essa desculpa de ter um político famoso envolvido. Em primeiro lugar, meu marido não é mais político há anos e quando esteve agiu sempre com ética e respeito ao próximo. Não vejo o motivo de querer envolver meu filho nisso”, disse.

Viviane Purkote contou que conversou bastante com os filhos depois que soube do crime. “Eu perguntei para eles por que não fugiram? Por que não pularam o muro? E eles disseram que o Edison ameaçou todos, dizendo que ninguém sairia da casa até que ele tirasse Daniel de lá. A partir do momento que o portão abriu, eles e outras testemunhas correram para a rua e pediram o Uber da rua. Eles estavam em estado de choque, estavam desesperados e acabaram indo para a casa de outro amigo”, contou.

Ameaças

Na semana passada, por meio do advogado, uma das garotas que estava na casa dos Brittes e prestou depoimento disse à polícia que estava sendo ameaçada. A família Purkote rebate. “Queria falar a essa moça que isso nunca vai acontecer, que ela pode ficar tranquila porque eu não a conheço e não quero conhecer. Ameaça não se faz, pelo contrário, estamos rezando por todos que estão envolvidos nisso, principalmente, pelo Daniel, que foi vítima de toda essa atrocidade. Ela pode ficar muito tranquila que ninguém está ameaçando absolutamente ninguém”, disse Viviane.

Ela teria apontado Eduardo como sendo o responsável pela busca da faca na cozinha e também pela destruição do celular de Daniel. A mãe do gêmeo preso critica o envolvimento dela na cena do crime. “Tem gente nisso tudo que está acusando pessoas, mas passou o dia dentro da casa, escondendo provas, queimando documento, limpando colchão e ainda fazendo estrogonofe. A partir do momento que aquele portão abriu, meus filhos foram embora, desesperados”, completou.

Preso

Eduardo está preso na Delegacia de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba há quatro dias e sem contato com a família. Por meio do advogado, a mãe soube que o filho teve uma crise alérgica. “Está abalado, ele tem problemas de alergia, ontem levaram remédios para ele. Não sabemos como está, tememos pela segurança dele”, disse.

Jairo Melo lamenta a situação da família e acredita que tudo será esclarecido. “Lamentável a situação, estavam na hora errada, no lugar errado e com algumas pessoas erradas porque aquelas pessoas de fora também foram vítimas de toda aquela situação. Tenho certeza que a verdade virá”, finalizou o padrasto dos gêmeos.

O caso

O jogador Daniel Correa Freitas, de 24 anos, foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, ele estaria em uma festa e morreu após enviar fotos de Cristiana Brittes para amigos em um grupo de WhatsApp.

 

Banda B – 19/11/018

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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