Araucária

Grupo Risotolândia emprega mão de obra penitenciária, reduz turnover e contribui para a ressocialização de apenados no Paraná

Alguém contrataria detentos para trabalhar na própria empresa?

Provavelmente, muitos responderiam que não. O que muita gente não sabe é que a iniciativa pode beneficiar a instituição e ajudar a transformar a vida de quem precisa de uma segunda chance. O Grupo Risotolândia, líder em refeições coletivas no sul do país, desde 2008 mantém apenados do regime semiaberto em seu quadro de funcionários. A iniciativa é boa para a empresa que conseguiu contornar o ‘turnover’ que já superou os 5% ao mês e é uma nova oportunidade para os detentos que, além de receberem 75% do salário mínimo, têm sua pena reduzida em um dia a cada três trabalhados.

“Vale ressaltar que os detentos não são contratados em regime CLT e que o seu salário pode ser acumulado até a conquista do seu alvará de soltura, ou ser retirado em até 80% por um familiar autorizado, enquanto ele estiver cumprindo a pena”, explica Kamille Dantas, gerente de RH do Grupo.

Desde sua implantação o programa “Liberdade Construída”, criado em parceria com a Secretária da Justiça e Cidadania e também com o Departamento Penitenciário Nacional (SEJU/DEPEN) já atendeu centenas de apenados. “Sabemos que para estas pessoas uma oportunidade digna de trabalho significa a chance de literalmente construir a sua liberdade, daí o nome do projeto, que promove a ressocialização e prepara estes colaboradores para retornar ao mercado”, explica Carlos Humberto de Souza, Diretor Presidente do Grupo Risotolândia. Alguns atendidos pelo projeto, após conquistarem liberdade, foram contratados pela empresa.

Como funciona?

Os detentos que desejam trabalhar na empresa precisam ter um histórico de bom comportamento e passar por exames psicológicos. Todos os dias empresa busca os apenados da Colônia Penal Agroindustrial do Estado para trabalhar na unidade em Araucária e os transporta de volta no fim do expediente que vai das 14h às 22h30. Na empresa, são funcionários comuns e, por isso, têm acesso a todos os espaços e usam uniformes iguais aos outros funcionários. “Os apenados têm acesso a serviços médicos no ambulatório, biblioteca, capela, armários, alimentação no restaurante central e lanchonete, assim como qualquer outro colaborador. A diferença é que durante o trajeto entre Colônia e Empresa, há o acompanhamento de um monitor, justamente para que as regras envolvidas na parceria entre as instituições sejam cumpridas, explica Souza. Ele destaca ainda que estes colaboradores recebem treinamentos constantes em sua área.

Atualmente, cerca de 20 apenados trabalham na Risotolândia no setor de higienização de utensílios. Todos os dias são, em média, 5.000 peças de caixas isotérmicas higienizadas junto à equipe da casa. O número de participantes do projeto varia conforme a necessidade da empresa e já chegou a 60. “Depois de conquistar a liberdade muitos optam por seguir em outras áreas e, para eles, disponibilizamos uma carta de boa conduta que pode ajudar como referência nesta nova busca. Nos sentimos extremamente felizes com essa contribuição”, ressalta o Diretor Presidente. Cabe ressaltar que o desacato às regras estipuladas pelo DEPEN, assim como o encerramento do período de reclusão, são situações que encerram o contrato imediatamente.

Sobre o Grupo Risotolândia

Desde 1953 no mercado, o Grupo Risotolândia é o maior do setor de refeições coletivas do Sul do Brasil. Com 4.700 colaboradores na equipe, o Grupo (com matriz na cidade de Araucária – PR) produz diariamente mais de 550 mil refeições nos seis estados em que atua: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, tendo capacidade e estrutura para atender todas as demandas na área de refeições.

 

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Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Jornalista (MTB 0009108-PR), Repórter Cinematográfico e Fotógrafico licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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