Paraná

Estiagem castiga agricultores do Paraná e já falta água para irrigação em algumas regiões

O longo período de estiagem no Paraná, intercalado por chuvas esparsas está afetando a agricultura. Segundo o Conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Engenheiro Agrônomo Ciro Daniel Marques Marcolini, alguns produtores já perderam toda a plantação.

De acordo com o decreto 4626/2020 publicado pelo governo do Estado no início de maio, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento fica encarregada de implementar medidas para melhorar a eficiência no uso da água nas regiões rurais do Estado, com autonomia para também restringir e até suspender sua captação. Marcolini destaca que não se questiona sobre a prioridade do uso da água – que deve mesmo ser o abastecimento para pessoas e animais – mas os reflexos da estiagem são visíveis na produção de alimentos, sobretudo na região Norte do Paraná e em locais onde não há reservatórios.

Natanael dos Santos é um dos produtores que têm sofrido com a seca. Morador de Nova América da Colina, ele planta repolho, couve-flor, alface, acelga, e outras verduras. A água para irrigação de suas culturas acabou e, pra não perder as plantas, ele está indo buscar água em um tanque distante de sua propriedade. “Verdura já é um produto de baixo valor e com o custo para trazer a água de longe, o plantio fica muito caro e inviável. Em janeiro, fevereiro e abril perdi plantações inteiras de repolho e pimentão porque se não molhar na hora certa você perde qualidade e o mercado não aceita. Vai ser um ano de muitos prejuízos. Estou pensando em reduzir o plantio porque com o fechamento de lanchonetes por conta do Coronavírus, também perdi clientes”, avalia o produtor rural.

A área cultivada com hortaliças no Paraná gira em torno de 123,5 mil hectares. Os principais polos estão nas regiões Sul e Norte do Estado. As culturas produzidas em maior volume são batata, mandioca, repolho, tomate, alface, cebola, cenoura e beterraba. Esses oito alimentos representam cerca de 70% do total produzido da olericultura paranaense.

A produção de feijão também tem sofrido com a falta de chuvas e a redução da segunda safra já chega a 40%, com perda de 174 mil toneladas, de acordo com o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. A perda na segunda safra da batata já chega a 13%, com uma redução de 45 mil toneladas do previsto inicialmente.

Safra de milho

Há potencial de perdas na safra de grãos em algumas regiões do Estado também em função da estiagem, principalmente para milho segunda safra nas regiões Oeste, Norte e Noroeste. Em 2019 no Paraná foram colhidos 13,2 milhões de toneladas de milho segunda safra. Em 2020, há uma expectativa de safra 15% menor em relação ao ano passado. Houve atraso do plantio por conta da colheita da soja, que também ocorreu mais tarde.

“No ano passado, nesse mesmo período, o milho segunda safra estava com 21% da área colhida. Nesse ano, só 3% foram colhidos. No comparativo com o ano anterior, há um atraso no desenvolvimento da cultura em função do período tardio do plantio, o que pode deixar a cultura sensível a geadas, com a possibilidade de mais perdas”, explica o conselheiro do Crea-PR, Engenheiro Agrônomo Jhony Moller.

No site do Crea-PR há disponível para consulta o Caderno Técnico de Uso e Reuso da Água, que trata do uso sustentável dos recursos hídricos, com estatísticas e soluções para quem tem interesse no assunto.

 Irregularidades na irrigação

Em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, que é uma das áreas que mais sofrem com a seca no Paraná, a Sanepar está realizando um inventário de usuários da bacia do Meringuava, que abastece de 200 a 300 mil pessoas sem reservatório – ou seja, apenas com a vazão do rio. O trabalho está sendo realizado porque há subnotificação do uso de água por parte de alguns agricultores.  Na região, são cerca de 870 produtores rurais, que têm um alto consumo de água. Até agora, foram identificados 110 consumidores dessa bacia sem a devida outorga de uso da água.

“Com o mapeamento, conseguiremos mensurar a necessidade real da região. Além disso, foram identificadas perda de água nos processos de irrigação e irregularidades como vazamentos e falta de controle do volume utilizado. São situações que poderiam ser evitadas com a presença de um engenheiro agrônomo ou com o acompanhamento de suas orientações”, explica o coordenador estadual da área de Sustentabilidade do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, Benno Henrique Weigert Doetzer.

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduanda pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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