Educação

Como é possível a família melhorar a rotina de estudos da criança?

Este texto não tem a pretensão ser um manual, mas de apresentar dicas viáveis para melhorar a rotina de estudo das crianças em ambiente familiar neste período de pandemia. Cada família tem suas particularidades e cada criança é única. É o comprometimento de todos os envolvidos que vai gerar o interesse da criança no aprendizado, bem como estimular o seu desenvolvimento. As dicas, a seguir, são um resumo a partir da colaboração da psicóloga e professora da rede municipal Carla Saad. 

É HÁBITO! Os pais precisam entender que ninguém nasce gostando de estudar. Estudar é um habito que é preciso construir com a criança para que ela comece a ver sentido na atividade de estudar.

POR PERTO – Toda vez que for ensinar algo novo é preciso saber que a criança vai precisar da supervisão e apoio. No caso do hábito/rotina de estudar, é fundamental que pais supervisionem e acompanhem; principalmente neste momento de distância física do professor e da escola. Os pais devem ser mediadores para que as crianças consigam realizar as atividades que os professores encaminham. 

PACIÊNCIA – É preciso ter paciência, persistência e saber que para que o surja o hábito de estudar leva tempo. A criança ainda está com o cérebro em desenvolvimento e algumas regiões muito importantes para o planejamento, controle de comportamento, regulação emocional, assim como a autonomia para algumas tarefas, também estão em desenvolvimento. Por isso, criança precisa de ajuda e entendimento sobre esse processo. O desafio é criar hábitos de estudo, conseguir se planejar e priorizar quais são as tarefas mais importantes, o que é preciso entregar, quais são as datas, entre outros pontos. A supervisão dos pais é essencial, principalmente nos anos iniciais.

TER ROTINA – Criança precisa ter uma rotina saudável de estudo. Os pais devem colocar horário fixo e dividir as tarefas a serem realizadas. Esse horário de estudo vai depender da rotina familiar e do que avaliarem como melhor para a criança. Precisa ser um horário no qual ela consegue ter um foco maior de atenção. O importante é que o horário seja fixo ao longo da semana. O compromisso do horário também se estende ao adulto que vai acompanhá-la.

METAS REALISTAS – Não adianta tentar dar conta de todas as atividades em um único dia. É muita coisa. E agilidade pode não ter relação com qualidade. Criança tem dificuldade em manter a atenção por muito tempo. A dica é observar o tempo que a criança consegue se concentrar e dividir as atividades em etapas com intervalos e depois retomar. Se a criança for conseguindo acompanhar, é possível ir aumentando o tempo de atividade. Intervalos são importantes para que a criança consiga manter a atenção e se mantenha engajada nas atividades.

SEMPRE DISPONÍVEL – Criança precisa da disponibilidade dos adultos até que ela adquira certa autonomia. Quando a criança já consegue se organizar, separar atividades e realizá-las elas sozinhas é sinal que a supervisão já pode ser menor. Mas é muito importante o adulto deixar claro que “qualquer dúvida que você precise eu estou aqui, é só pedir”.

AMBIENTE FAVORÁVEL – Um local com boa iluminação e sem muita estimulação auditiva e visual (sons e itens visuais que geram distração) ajudam a criar um ambiente propício para estudo em casa. A TV precisa estar desligada e o celular também distante (a não ser que seja para pesquisa). O ambiente de estudo não deve ter pessoas circulando e conversando. A família toda precisa compreender qual é o horário de estudo da criança e todos precisam respeitar esse horário.

FACILIDADES E DIFICULDADES – Os pais devem conversar com a escola/professor para entender quais são as dificuldades da criança e o que precisam priorizar nas atividades. Com as atividades on-line, os pais passaram a ser mediadores das atividades. Se os pais não compreenderem algo da atividade, podem pedir apoio ao professor. Os professores têm se desdobrado para auxiliar as famílias.

SEM DÚVIDAS – As atividades em casa têm mais sucesso quando os pais compreendem o objetivo das tarefas, entendem quais os conteúdos estão sendo trabalhados e as metas de aprendizado. Do outro lado, os professores precisam saber como as crianças estão se comportando em casa, como reagem diante das tarefas e sobre dificuldades e facilidades. O diálogo entre família-escola é essencial.

PREPARATIVOS – Criar um passo-a-passo do dever de casa com a criança ajuda a organizar as ideias dela. Definir e separar os materiais, tomar água antes, ir ao banheiro antes, certificar que a criança está sem fome.. são detalhes importantes. Uma sugestão é fazer o passo-a-passo (dos preparativos) por escrito para que a criança marque o que ela já fez. Isso ensina a planejar, a entender como se organizar para estudar.

INCENTIVE! A cada resultado positivo, a família pode reconhecer o esforço da criança por meio de elogios. Demonstrar orgulho, expressar alegria por ela estar estudando, por estar aprendendo, motiva a criança a continuar a se desenvolver.

EXEMPLOS EM CASA – Associar as atividades propostas à realidade da casa/família é uma dica bem viável e eficaz para que a criança dê sentido e significado ao aprendizado escolar. A criança pode contar objetos da casa, escrever a lista do supermercado, ou ler em voz alta, por exemplo, as regras de um jogo para a família… Os momentos de convivência familiar também podem ser de aprendizado.

VÍNCULO PRÓXIMO – É muito importante que as criança saiba quem é sua professora, que é ela quem está enviando as atividades, que é ela quem corrige as atividades e está atenta sobre o que se passa com ela em casa. Para isso, o vínculo com a escola precisa ser mantido. Se, antes, o vínculo família-escola já era importante, com a pandemia ficou ainda mais evidente que não é possível ter um estudo de qualidade e desenvolvimento integral sem essa união.

ESTABELECER ACORDOS – A criança pode ser estimulada por meio de acordos. Cada vez que atingir um objetivo (ou a soma de alguns deles), ela pode trocar por uma “vantagem”, que pode ser uso de tablet, a possibilidade de andar de bicicleta ou outra atividade acordada entre o adulto e ela. O controle das metas alcançadas pode ser por adesivos, carimbos, feijões, botões ou outros itens que se possa acumular para trocar por uma recompensa. Isso não deve ser confundido com ‘chantagem’, que é quando se oferece algo em troca apenas quando a criança aparenta não querer fazer atividades. É preciso ser algo combinado antes da tarefa e que a criança entenda o que é ter compromisso.

LAZER – Valorize todo o tempo junto com a criança: as tarefas, as regras e os limites são essenciais para o bom desenvolvimento da criança. Mas os momentos de lazer e diversão são tão importantes quanto. Esses momentos prazerosos em família são guardadas na memória de infância e fortalecem o vínculo entre os membros. Fazer um acampamento na sala, testar uma nova receita, assistir a um filme juntos, criar brinquedos com materiais reciclados…O tempo junto de lazer ajuda toda a família a reduzir os níveis de estresse e melhora o humor para enfrentar os desafios do dia a dia – inclusive as aulas remotas.

PARA TODOS – O ambiente on-line é atrativo e interativo. Mas, em Araucária, a prioridade da rede municipal de ensino nas ações remotas tem sido de garantir as atividades impressas por saber que muitas famílias não têm acesso a algumas tecnologias. O material impresso visa manter as atividades, estimular o estudo e a evitar que as crianças percam o vínculo com escola. Quando há possibilidade da família, as unidades educacionais fazem uso de tecnologias on-line. Os profissionais têm se dedicado no contato com as famílias por telefone, vídeos e outros meios. 

OUVIR A CRIANÇA – A família deve observar como está criança e o ambiente em que ela vive. O momento de pandemia tem sido difícil e desafiador para todos. E a criança pode sentir raiva, tristeza, medo, saudade da escola e nem sempre saber se expressar sobre o que está sentindo. Daí vem o choro, o grito, problemas de comportamento… Os pais precisam ter a sensibilidade de perguntar como as crianças estão se sentindo, tentar entender as necessidades, saber por que não querem fazer alguma atividade ou como ela gostaria que fossem as atividades em casa. O diálogo sincero é importante para entender como a atividade pode ser mais prazerosa.

NÃO SE COBREM! Os pais não devem se exigir tanto. Eles não são professores, são mediadores. Em caso de dúvidas, a recomendação é que dividam a dificuldade com a escola para ter as orientações. Os profissionais da educação ressaltam que o comprometimento de todos é importante  para que a criança não perca o vínculo com escola, o que é muito prejudicial para o desenvolvimento ao longo da vida. O ensino remoto para crianças menores pode não ser o meio mais  adequado, mas, no contexto atual, é o que pode ocorrer para preservar a saúde de todos. Com atendimento presencial ou não, a escola deve estar sempre perto das crianças.

SCMS Araucária

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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