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Com 3 testes negativos de Covid, família de jovem com morte cerebral protesta e quer velório

A família da adolescente Vivian Araújo Ceccon, de 15 anos, procurou a nossa reportagem neste domingo (20), para protestar contra a falta de permissão de realizar o velório pelo fato de haver a suspeita de Covid-19 entre as causas da morte. A jovem teve a morte cerebral constatada pelos médicos neste sábado (19), após passar três dias internada. Viviam sofreu três paradas cardíacas após jogar uma partida de futebol na quarta-feira (16). A família garante que foram feitos três exames de Covid-19 pelo Hospital do Rocio e todos deram negativo.

“Assim que recebemos a notícia da morte encefálica da Viviam, ainda chocados, as enfermeiras e os médicos nos confirmaram que tinham sido feitos três testes de Covid e todos deram negativo. Mesmo assim, informaram que o corpo da Viviam teria que ira para o IML, que tínhamos que fazer Boletim de Ocorrência. Ainda atordoados, não entendemos e depois descobrimos que não iríamos poder fazer velório por causa da Covid. Como assim, se ela não tinha coronavírus e os testes mostraram isso?, afirmou a mãe de Viviam, Rosilaine Silveira de Araújo.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Hospital do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O corpo de Viviam ainda está no hospital e a assessoria informou  que o caso está sendo investigado.

O advogado da família, Davi Moreira,  disse que, a princípio, não existia a possibilidade de Covid em Viviam. “Tanto estava demonstrado que a Viviam não tinha Covid que familiares tiveram acesso a ela e puderam visitá-la duas vezes”, informou.

Paradas cardíacas

A mãe da adolescente contou que ela estava bem, saudável, quando foi jogar uma partida de futebol com as amigas na quarta-feira, em Campo Magro (RMC).

“Ela estava toda animada, saudável, quando foi bater uma bola com as amigas. Foi toda alegre, jogou, fez gol, comemorou, até que , de repente, caiu na lateral da quadra. Pensamos que era uma taque epilético, mas não era. Ali ela teve a primeira parada cardíaca. Meu irmão fez a massagem cardíaca enquanto a levávamos para a UPA de Campo Magro. Lá, o médico fez de tudo, ela voltou, foi entubada e levada para o Rocio”, contou a mãe.

Segundo a família, Viviam ainda teve mais duas paradas cardíacas e foi reanimada. No hospital, os médicos disseram que ela poderia ter sequelas e que o caso era grave. Os pais e a avó puderam vê-la e foram informados da gravidade.

“A médica nos disse que o coração dela estava fraco, que ela tinha dificuldade de respirar, uma pequena lesão no coração e que precisava ficar ligada ao respirador. Na tomografia, viram uma pequena inflamação no pulmão, mas fizeram testes de coronavírus e deram negativo. Ainda assim, ela foi da área azul laranja para a azul no hospital, que é dos pacientes com Covid”, contou a mãe.

No dia seguinte, Rosilene conta que os médicos disseram que Viviam estava em coma neurológico e o médico disse que já não havia esperança. Um novo teste de Covid foi feito com resultado negativo.  A família pode, novamente, ver a adolescente. Depois, a morte encefálica foi confirmada.

A prima da jovem, Diane Ceccon, disse que a família ficou surpresa com a inclusão de Covid-19 na certidão de óbito. “Qual a surpresa se não na hora de liberar o corpo estar Covid na certidão de óbito? Estamos vivendo um pesadelo, pois sabemos que o exame deu negativo e eles não estão dando a chance de nós velarmos nossa menina. Não aceitamos de jeito nenhum essa situação, até a polícia nós chamamos”, relatou a prima.

O que vai acontecer

O advogado da família disse que está em tratativas com o hospital e um novo exame será feito até o meio-dia desta segunda-feira (21). ” Entrei em contato com o hospital que disse que uma tomografia apontou uma lesão no pulmão , sinais característicos da Covid. A família iria doar os órgãos, mas com esta possibilidade apresentada na tomografia, o hospital informou que a Secretaria de Saúde recusou os órgãos e o Estado orientou a colocar na certidão de óbito a observação da Covid”, explicou.

Moreira completou dizendo o que foi acertado. “A primeira opção colocada pelo hospital foi da família aceitar o laudo e fazer o sepultamento, o que não foi aceito. A segunda opção, que é a que será adotada, é colher uma nova amostra e fazer uma  contraprova na segunda pela manha em um laboratório conveniado do hospital. Se der negativo para Covid, a família terá o corpo liberado para velório, após a área jurídica do Rocio retificar o documento, sem Covid. Se der positivo, a família vai decidir se pedirá um novo exame por outro laboratório indicado pelos parentes. Vamos aguardar e tentar resolver isso da melhor maneira possível”, completou o advogado.

A reportagem aguarda um posicionamento do Hospital do Rocio sobre o caso. Até o fechamento desta reportagem, o corpo de Viviam não havia sido liberado para sepultamento.

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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