Araucária

BASTIDORES DA PANDEMIA: Profissionais da educação se reinventam e mostram compromisso com desenvolvimento das crianças

A pandemia de Covid-19 mudou a atuação de diversos profissionais, entre eles, os da Educação. A necessidade de desenvolver atividades remotas com as crianças gerou novos desafios e também novas oportunidades. Desde maio de 2020, as atividades em Araucária têm sido pensadas para atender a todas as crianças matriculadas, independente se contam com acesso à internet ou não. Cada unidade e profissional teve que se adaptar ao contexto local. Além do conteúdo, a Educação ainda reforçou os cuidados para monitorar situações em que há maior risco de abandono do vínculo da criança com a unidade educacional. O trabalho de bastidor pode não aparecer, mas tem sido decisivo.

Em Araucária, a Secretaria Municipal de Educação (SMED) respeitando a autonomia de cada unidade educacional da rede municipal de ensino solicitou que esta junto com o Conselho Escolar, decidissem a melhor forma de atender a sua comunidade e desenvolver o processo de ensino e aprendizagem. Foi necessário também estabelecer estratégias para atender as crianças que não possuem acesso à internet, por exemplo. Com agendamento (assim como ocorre na entrega de kit de alimentos), essas famílias podem retirar na unidade as atividades propostas, assim como livros, brinquedos, jogos e outros materiais disponíveis que ajudem a proporcionar conhecimento e também a manter o vínculo com a unidade educacional. As realidades de cada região do município são muito diferentes e as unidades têm se atentado a isso. Tanto que reavaliar propostas ou readequá-las faz parte do processo.

A educação infantil municipal, por exemplo, conta com 39 unidades. Trabalhar atividades com bebês, de maneira remota, tem sido um desafio para muitos profissionais, já que o contato próximo é uma das características da educação infantil. As educadoras infantis Leila Nayara Kmitta de Andrade e Larissa Maria Sarnick, do CMEI Torres, passaram a fazer vídeos para uma turma de crianças do “Infantil 1” (1 ano) e suas famílias. Leila contou que as duas profissionais já seguiam páginas em redes sociais com temática sobre educação infantil e que, ao longo da pandemia, a troca de informações on-line foi crucial. 

As duas profissionais da educação do CMEI Torres começaram a produzir vídeos caseiros (com atividades ou mensagens) para serem enviados por WhatsApp. Depois, o trabalho também foi para um canal no Youtube, o qual, segundo Leila, proporcionou troca de ideias com outros profissionais da educação. “Até então [antes da pandemia], era nós e as crianças. De repente, abriu-se a porta das nossas casas para fazer filmagens. Não tínhamos experiência de gravar vídeo. Até hoje não é confortável a exposição, se paramos pra pensar, mas é motivador. A família recebe vídeo, elogia, a criança recebe atividade. É muito gratificante”, avaliou Leila.

O período da educação infantil tem como base promover interações e brincadeiras que estimulem as crianças a aprender de uma maneira divertida e, por consequência, se desenvolver de maneira integral. Diferente do ensino fundamental (que vai focar, por exemplo, na alfabetização necessária), a educação infantil prevê que as crianças aprendam brincando e sem as “cobranças formais” de anos mais avançados. Cada etapa da educação tem seus objetivos e métodos específicos.

RELAXAMENTO – “Com o ensino remoto, me preocupou muito a saúde mental dos meus alunos. Porque o isolamento social tirou dos alunos a interação com o outro, o aprender coletivamente. Então, com autorização da minha diretora, comecei a gravar semanalmente áudio de relaxamento orientado”, contou a professora Sueli de Fátima Ferreira de Andrade. Ela afirma que já trabalhava esse tipo de relaxamento presencialmente e passou a utilizar o áudio para dar continuidade a esse trabalho de pensar a respiração e o relaxamento como instrumentos relacionados a saúde e bem-estar. Ao longo de 2020, sua atividade foi desenvolvida com crianças do 5º ano da escola municipal Professora Andréa Maria Scherreier Dias, no Distrito do Tietê. As famílias das crianças receberam um explicativo sobre a atividade que seria realizada às sextas-feiras. Um caderno de desenho também foi entregue para algumas atividades pensadas “de forma a trabalhar a inteligência emocional”, conforme explicou a professora. 

Sueli relata que ao recolher o caderno de desenho (no fim de 2020) percebeu que, de fato, as crianças realizaram as atividades propostas. “Algumas vezes, as mães ligavam para me dizer que elas também estavam precisando daquele momento e que costumavam ouvir o áudio. Sei que estamos vivendo um momento delicado e precisamos pensar o emocional de nossas crianças”. Com experiência em yoga, a professora avalia que o relaxamento orientado “é uma possibilidade de organizar as ideias, rever valores e conceitos e restabelecer nossas energias”.

VÍNCULO COM A FAMÍLIA – Um dos principais desafios dos profissionais da educação tem sido manter o vínculo da criança com a unidade educacional e também da família com a unidade. “Teve família que foi necessário fazer visita. Em alguns casos, ajustamos o horário pra atender a família, e que não atrapalhasse a rotina de sono da criança. Fizemos chamadas depois do horário [de trabalho] e não foi problema nenhum pra nós. Fizemos com todo nosso amor”, contou a educadora infantil Leila Nayara Kmitta de Andrade. 

“Nesse momento é muito importante que uma parte entenda a outra. Todos estão sofrendo com isso. Cabe um pouco de empatia pelo próximo. Esse é um dos motivos que eu não me oponho a horário algum [de trabalho]. Sempre que possível, respondo a eles [família], independente do horário”, explicou a professora Deborah Mendonça, que tem turmas de 4º ano nas escolas municipais Professor Arlindo Milton Druszcz e Professora Eglé Cordeiro Machado Pinto em 2021. Ela cita que, como não é possível delimitar os horários exclusivos de trabalho, os contatos on-line ao longo do dia se misturam entre conversas com família de estudantes e com seus próprios familiares. Os bastidores, que muitos podem desconhecer, incluem tempo de espera para atender as chamadas, e sons de bebês chorando, cachorro latindo, entre outras situações que a necessidade de cada um estar em sua casa acabou gerando. 

Conforme o Departamento de Ensino Fundamental, A situação de cada criança é acompanhada por meio de relatórios elaborados pelos profissionais de educação. Além da unidade onde a criança está matriculada, a SMED também conta com uma equipe que pode ir até a família verificar a ausência de retorno quanto às atividades, por exemplo. Essas visitas têm o objetivo de convencer a família sobre sua importância no processo de desenvolvimento da criança. Se esgotadas todas as possibilidades, o Conselho Tutelar pode ser acionado para tomar as providências cabíveis.

Segundo o Departamento de Educação Infantil, da SMED, muitos pais “passaram a ver a educação infantil com outros olhos”, já que estão acompanhando mais de perto a dedicação, o carinho e outras características que só quem acompanha percebe. Se, antes, a participação da família já era importante, com a necessidade de atividades remotas isso se tornou fundamental, já que coube a ela a função de disponibilizar o tempo para apresentar à criança as atividades propostas.

SCMS Araucária

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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