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Aconteceu em 2020: Agricultoras se reinventam para vender produção durante pandemia

A pandemia da Covid-19 causada pelo novo coronavírus levou incerteza para diversos setores, e no agronegócio, o cenário não foi diferente. Em maio deste ano, quando o país passava por um maiores picos de contaminação, agricultoras do Distrito Federal precisaram se unir para conseguir vender a produção. Para isso, elas fortaleceram uma associação que possibilitou o comércio pela internet.

As produtoras do grupo de Brazlândia, até o ano passado, trabalhavam sozinhas no assentamento Canaã, cada uma na respectiva propriedade. A união veio neste ano por programas de estímulo à agrofloresta, mesmo antes do impacto da Covid-19 na economia brasileira.

“A gente não tinha como trabalhar, não tinha água, não tinha adubo, não tinha nada. Depois que a gente começou a fazer os mutirões, um ajudando o outro, é onde foi dando certo”, contou a produtora Ivanilde Linhares Carvalho.

Também trabalhadora do campo, Maria Francisca lembra que foi nessa união que nasceu o companheirismo entre essas mulheres. “Depois desse mutirão eu vi uma coisa mais rápida, mais companheirismo, juntou mais as famílias, muitas que estavam desunidas, cada uma em um cantinho. Achei uma maravilha essa associação, que está juntando ainda mais as companheiras”, comentou.

A união dessas trabalhadoras na produção de alimentos orgânicos com cada vez com mais qualidade precisava ser revertido em renda. Para ampliar a comercialização, foi criada a associação.

No entanto, em março, quando a associação estava tomando forma, ficando mais forte, veio a pandemia do novo coronavírus e as vendas em feiras ficaram prejudicadas. Uma companheira teve a ideia de organizar vendas particulares.

A união, que já existia no campo, ficou ainda mais forte na cidade. “Nós criamos uma cesta formada por dez itens a R$ 60. Aí a gente separa se é um item ou dois itens para cada produtor de acordo com o que ele planta”, explicou a presidente da associação, Maria Ivanildes de Souza.

As vendas acontecem por meio de cestas de forma direta. Para formar o kit da semana, cada associada acaba contribuindo com itens da própria lavoura.

As cestas são encomendadas e entregues aos sábados na área central de Brasília. O serviço, anunciado pelas redes sociais, vai ganhando popularidade por meio de recomendações.

Produtos diferenciados

“A gente tá gostando muito, principalmente as verduras, que são lindas e saborosas. Tem algumas coisas que são novidade, como caxi, cará-moela e mostarda, que a gente nunca tinha comido em casa”, disse Hugo Fernandes, cliente da associação.

A variedade de produtos muitas vezes desconhecidos do público urbano é um dos sucessos da cesta, inclusive para quem é especialista. “Eu tenho 39 anos, 18 de meio ambiente,. Nas três semanas que eu peguei produtos com elas, em cada dia teve um produto novo desse cerrado lindo, dessa agricultura familiar. É demais, é indescritível”, contou o geógrafo Bruno dos Reis Fonseca.

A renda gerada pela nova atividade ainda é pouca, já que o grupo precisa conquistar mais clientes. No entanto, em meio à pandemia, o que não é vendido acaba sendo doado.

Para essas mulheres, o espírito solidário não tem limites. Para elas, o bem feito à terra é o mesmo bem que segue para a mesa das pessoas e o que retorna para elas.

“Aqui é uma união, uma alegria, uma paz, uma tranquilidade. Vivemos com as mãos na massa. Uma brinca, fala uma coisa para fortalecer a outra que quer desistir, porque é difícil, mas a gente espera a vitória lá na frente, para cada família”, afirma Ivanilde.

Redação com Canal Rural

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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