Redação

2020, o ano que pediu uma pausa

O ano de 2020 se despede com uma marca triste para a humanidade. Uma pandemia fechou portas de casas e fronteiras. Impôs distanciamento entre pessoas, máscaras nos rostos e álcool em gel nas mãos. Levou quase 1,8 milhão de vidas pelo mundo. E deixou muitos planos em espera.

A escola da vida mostrou que temos muito a aprender. “Eu pensava que já tinha aprendido tudo. Muitos anos atrás, meu avô falou pra mim: olha, você pode demorar, morrer com 80 anos e vai aprender muita coisa ainda. A gente morre aprendendo”, lembra Cleibe Portugal, proprietário de um circo que tinha acabado de montar lona em Brasília, quando a quarentena foi declarada. E foi um drive-in que permitiu que as cortinas do espetáculo se abrissem durante todo esse tempo. “A única escola que a gente tá sempre aprendendo é essa escola do mundo”, completa Cleibe.

E quando as aulas foram para dentro de casa, jovens se uniram para que crianças em situação de rua não perdessem nada. “A gente entra pra garantir os direitos que essas pessoas têm. De alguma maneira a gente tenta devolver a dignidade delas”, conta Maria Baqui, do Coletivo BSB Invisível. Mais uma lição da escola da vida.

E teve gente que chegou ao mundo no meio da pandemia. Bruna Moreira deu à luz Henrieta. “Eu vou contar toda essa história pra ela, que ela foi gestada no meio de uma pandemia, nasceu no meio de uma pandemia, no primeiro dia de primavera, depois de muitas semanas de seca em Brasília”, planeja Bruna. Henrieta nasceu em uma casa de parto, a Luz de Candeeiro. “Tem um obstetra francês, Michel Odent, que tem uma frase que é muito conhecida: para mudar o mundo é preciso primeiro mudar a forma de nascer. E tem uma frase que acompanha a Luz de Candeeiro desde que ela nasceu, que é: mudando o mundo, uma família de cada vez. Então, a gente leva essa missão muito a sério”, afirma Renata Reis, médica obstetra.

Profissionais da saúde, na linha de frente contra a covid-19, foram aplaudidos de janelas de prédios em vários países. Quem cuidou dos doentes também precisou de cuidados. “Eu tive covid-19, um dos primeiros casos em Brasília, forma grave. A gente vê toda a vulnerabilidade que o paciente vivencia num momento de uma doença mais grave. E você tem que confiar plenamente na equipe, nos seus colegas, e isso pra mim foi uma experiência extremamente enriquecedora”, revela Carlos Rassi, cardiologista de Brasília. Para ele, a palavra do ano é amor. “Eu recebi tanto amor das pessoas que estão próximas a mim, dos meus familiares, dos meus amigos. E dos pacientes também”, finaliza o médico.

Ser paciente. Esperar. Talvez uma das maiores lições deste ano. “Nós somos seres sociáveis. Nós gostamos de nos encontrar, de dar cheiro, de abraçar, e esse é um momento de espera. E esse momento de espera, se a gente souber esperar, vai ser mais gostoso ainda. Vai ser mais comovente, não é, quando você puder abraçar seus pais, dar um beijinho neles, na mamãe e no papai. Vai ser tão bom, não é?”, pergunta, cheia de esperança, a budista Monja Coen.

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduada pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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