Política

STJ rejeita novo habeas corpus de Richa e Fernanda

A ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça, rejeitou ontem pedido de habeas corpus da defesa do ex-governador e candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB) e de sua esposa, a ex-secretária da Família, Fernanda Richa, presos desde a última terça-feira, na operação “Rádio Patrulha”, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual, que investiga suspeita de fraudes em obras de estradas rurais. A íntegra da decisão só deve ser divulgada no dia 17. Na noite de quarta-feira, o mesmo pedido para libertar o tucano e sua mulher já havia sido negado pelo desembargador Laertes Ferreira Gomes, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ). A defesa do tucano recorreu então ao STJ.

A prisão temporária é válida por cinco dias, podendo ser prorrogada por mais cinco ou convertida em preventiva, sem prazo. Na decisão de quarta-feira, o desembargador do TJ afirmou que as prisões são necessárias para evitar que eles e os demais detidos deturpem a investigação “orientando testemunhas e destruindo ou alterando documentos”. Richa e Fernanda são acusados de participar de um esquema que teria desviado mais de R$ 70 milhões através de fraude em licitações do programa “Patrulha do Campo”, de obras de melhorias em estradas rurais. Eles negam as acusações. As denúncias foram baseadas nas delações do ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR), Nelson Leal Júnior e do ex-deputado estadual Tony Garcia.

Laurita Vaz negou, de uma só vez, em julho, 143 habeas corpus que pediam a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um ano antes, havia concordado com o benefício da prisão domiciliar ao ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes em sua clínica de reprodução humana .

Um dos três filhos do casal, André Richa, também investigado na Operação Rádio Patrulha, prestou depoimento ontem na sede do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O irmão de Beto, o ex-secretário de Infraestrutura, José Pepe Richa, que também está preso prestou depoimento por volta das 15 horas. Beto e Fernanda que inicialmente deviam ser ouvidos ontem, devem depor hoje.

Transferido – Além de Beto e Fernanda, Pepe Richa também foi transferido, ontem, para o Regimento da Polícia Montada, no bairro Tarumã, em Curitiba. Os outros 12 presos na operação estão no Complexo Médico-Penal, em Pinhais (região metropolitana de Curitiba), na Galeria 6, conhecida por abrigar presos da Lava Jato.
Estão entre os presos pelo Gaeco o ex-secretário Ezequias Moreira, o ex-diretor Geral da Secretaria de Infraestrutura Aldair Petry, o empresário Celso Frare, da empresa Ouro Verde, e o contador Dirceu Pupo. Também foram alvos de mandados de prisão, Edson Casagrande, ex-secretário de Assuntos Estratégicos, e o empresário Joel Malucelli. Casagrande se entregou hoje. Na terça-feira, Malucelli alegou estar em viagem à Itália e que ele aguardaria orientação de seus advogados.

Delator diz ter entregue R$ 220 mil 

No pedido de autorização para dar início à Operação Radio Patrulha, o Ministério Público do Paraná afirmou que Beto Richa chefiou um esquema que desviou R$ 70 milhões do Programa Patrulha do Campo, entre 2012 e 2014. A operação é baseada em horas de gravações e grampos telefônicos, a partir da delação premiada do empresário e ex-deputado Tony Garcia, amigo de infância de Richa, que confessou ser um dos responsáveis por arrecadar propina no esquema.
Em entrevista ao jornal ‘O Estado de São Paulo’ publicada ontem, Garcia disse que Beto Richa arrecadou “R$ 400 milhões, R$ 500 milhões, fácil” ao longo da carreira política. “Doação de campanha e propina é uma coisa só. (…) Não existe almoço de graça. Se alguém está fazendo alguma coisa,… Eles combinaram previamente que o preço que eles colocariam na Patrulha daria para eles tirarem 8% do bruto e passar a título de contribuição de campanha, título disso ou daquilo outro. Você usa o dinheiro para o que você quiser”, disse.

Garcia detalhou encontros e desavenças que teve com Ezequias Moreira e Luiz Abi Antoun, primo de Richa, e disse ter entregue R$ 220 mil ao ex-governador na casa do tucano. “Um dia eu fui entregar para o Ezequias, ele não quis receber, porque falou que o Luis Abi ficava fazendo confusão. O Beto não queria que entregasse mais para o irmão dele e nem para o Luis Abi, queria para o Ezequias. (…) Liguei para o Beto e fui na casa dele. Ele ficou bravo comigo porque eu levei dinheiro lá: ‘você está louco, a Fernanda está aqui, você vai deixar dinheiro aqui em casa? Você é louco de trazer aqui’. Eu falei que não ia ficar com aquilo. Ele não quis ficar, eu fui na casa do Pepe e deixei lá”, disse.
“O PT tem pixuleco e o PSDB tem tico-tico. Quando o Beto falou isso para mim, é porque eles atrasavam as faturas. O combinado era o seguinte: a partir do momento que pagasse uma fatura, em 10 dias se arrumava, se precisava para fazer os 8% dinheiro”, disse.

Fonte : Bem Paraná – 14/09/2018

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Ivone Souza - Redação

Ivone Souza é jornalista graduanda pelo Centro Universitário Internacional Uninter. Foi repórter e produtora de conteúdos do Portal Mediação, redatora do site Uninter Notícias, escritora e cronista. Curte teatro, uma boa leitura e é apaixonada por viagens e fotografia.

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