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Morre no Rio aos 71 anos a irreverente Elke Maravilha: “Foi brincar de outra coisa”

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A atriz Elke Maravilha morreu, aos 71 anos, na madrugada desta terça-feira, 16, no Rio. Ela estava internada na Casa de Saúde Pinheiro Machado, zona sul da cidade, desde julho, em coma induzido após cirurgia de úlcera.

Antes de ser internada, ela rodava o Brasil com o espetáculo “Elke canta e conta”, em que contava histórias de sua vida e cantava em vários idiomas. A atriz pode ser vista no cinema, em uma participação especial no filme “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina”.

Elke nasceu na Rússia e veio ao Brasil quando aos 6 anos. Poliglota, foi professora, tradutora e intérprete de línguas estrangeiras, inclusive de latim, além de bancária, secretária trilíngue e bibliotecária. Começou a carreira de modelo aos 24 anos, com o estilista Guilherme Guimarães, e, em TV, como jurada do Cassino do Chacrinha, em 1972. Foi também jurada do Show de Calouros, de Silvio Santos, além de ter feito vários trabalhos como atriz na TV e no cinema.

No Facebook oficial da artista, foi divulgada a seguinte nota: “Avisamos que nossa Elke já não está por aqui conosco. Como ela mesma dizia, foi brincar de outra coisa. Que todos os deuses, que ela tanto amava, estejam com ela nessa viagem. Eros anikate mahan (O amor é invencível nas batalhas). (Crianças, conviver é o grande barato da vida, aproveitem e convivam).”

História

Filha de um russo e de uma alemã, Elke nasceu na antiga Leningrado, hoje São Petersburgo. Seus pais resolveram imigrar para o Brasil, um país visto como promissor e bom acolhedor de estrangeiros, onde havia muitas colônias de imigrantes.

Quando Elke se tornou adolescente, a família se mudou para um sítio em Jaguaraçu, outra cidade do interior mineiro, onde Elke continuou a conviver na vida rural, com trabalhos do campo.

Querendo sua independência, já possuindo um bom currículo por conta dos idiomas que falava, saiu de casa aos 20 anos para morar sozinha no Rio de Janeiro, onde pagava seu aluguel trabalhando como secretária bilíngue em escritório. Por sempre gostar de estudar, Elke fez faculdade de Letras, e se formou em professora, tradutora e intérprete de línguas estrangeiras.

Elke foi presa no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em fins de 1971, depois de rasgar, aos gritos de “covardes, como ousam, vocês já o assassinaram!”, cartazes com a fotografia de Stuart Angel Jones, filho de sua amiga Zuzu Angel, já então morto depois de torturas na Base Aérea do Galeão. Foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional, o que a deixou apátrida. Só foi solta depois de seis dias após a intervenção de amigos da classe artística. Anos depois, requisitou a cidadania alemã, a única que possuia.

Carreira

Começou a sua carreira de modelo e manequim aos 24 anos de idade, com Guilherme Guimarães, tendo trabalhado para grandes estilistas, considerada como inovadora nas passarelas. Muito famosa no mundo da moda, parou de dar aulas e conquistou muito sucesso. Fez cursos de cinema e teatro, e chegou a trabalhar na televisão. Seu desempenho como a dona de um bordel na minissérie Memórias de um Gigolô foi tão arrebatador que foi convidada a ser madrinha da Associação das Prostitutas do Rio de Janeiro seu nome artístico foi dado pelo jornalista Daniel Más e lançado no ar por Chacrinha, com quem ela trabalhou durante 14 anos.

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Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Repórter Cinematográfico, Fotógrafo licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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